Quem pesquisa marketing para agência de viagem costuma chegar com uma queixa conhecida. O perfil tem foto bonita de destino, curtida, comentário e seguidor novo. Mas, no fim do mês, a conta de viagens vendidas não acompanha o movimento das redes.
Curtida tem valor, porque mostra que o conteúdo chamou atenção. Só que ela mede o interesse por uma imagem. Uma viagem se vende numa conversa, com data, preço e forma de pagamento na mesa.
Antes de falar de campanha, vale olhar para o tipo de compra que é uma viagem.
Por que curtida não vira venda de viagem?
Porque viajar é uma compra cara e pensada, que quase nunca se decide no impulso de um clique.
Segundo o IBGE, os brasileiros fizeram 20,6 milhões de viagens em 2024. O gasto médio de uma viagem nacional com pernoite subiu para R$ 1.843. E, entre os domicílios em que ninguém viajou, a falta de dinheiro foi o principal motivo, citado por 39,2% deles.
Esses números ajudam a entender a dúvida de quem está do outro lado. Muitas vezes, a pessoa já sabe que quer viajar. O que ela ainda não sabe é se a viagem cabe no orçamento, em quantas vezes dá para pagar, qual é a melhor data e o que está incluído no pacote.
Nenhuma dessas perguntas se resolve com uma curtida. Elas se resolvem quando alguém da agência conversa com o cliente.
Por isso a campanha de uma agência de viagem precisa levar a pessoa até essa conversa. O post inspira. O anúncio, quando bem feito, faz o interessado chamar. E a venda acontece no atendimento.
A agência de viagem ainda tem espaço, com tanta venda pela internet?
Tem, e os números do próprio setor mostram isso.
O Anuário Braztoa 2026, da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, mostra que as operadoras associadas faturaram um recorde de R$ 23,96 bilhões em 2025. E as agências de viagens continuam sendo o principal canal de venda dessas operadoras, com 80% das vendas.
Vale ler esse número com o cuidado que ele pede. Os 80% são das vendas das operadoras associadas, e não de todo o turismo do Brasil. E é um dado declarado pelas próprias associadas.
Mesmo com essa ressalva, o número aponta para um lado claro: a agência continua no centro de boa parte da venda de viagem. O desafio do marketing é fazer a agência ser encontrada por quem está planejando a viagem, e responder bem quando essa pessoa chama.
Quais são os três jogos do marketing em turismo?
Olhando para os projetos de turismo e lazer que a Pulse já conduziu, dá para separar pelo menos três jogos diferentes. Cada um pede uma campanha diferente, e cada um tem a sua métrica certa:
- Volume de contato: a agência quer muita gente chamando para pedir orçamento. A métrica certa é o contato qualificado, aquele que tem perfil para comprar.
- Lançamento de alto valor: um produto caro, com data marcada e vagas limitadas, como um cruzeiro ou um roteiro especial. A métrica certa é o faturamento comparado com a verba de mídia.
- Temporada de atração: a venda se concentra em férias, feriados e verão. A métrica certa é o resultado do período comparado com o de períodos anteriores.
O problema aparece quando os jogos se misturam. Se um lançamento de alto valor é medido pelo número de curtidas, ele pode parecer fraco no mesmo mês em que vendeu bem. E se uma campanha de volume é medida só pelo alcance, ela pode parecer ótima sem ter gerado uma conversa sequer.
Escolher o jogo antes de anunciar muda o que vem depois: o tipo de anúncio, o prazo, quem atende e o número que vai dizer se deu certo.
Os três exemplos a seguir são resultados históricos de projetos de turismo e lazer que a Pulse conduziu. Cada um ilustra um jogo e a métrica que faz sentido para ele. Nenhum deles é promessa de repetição, e eu prefiro deixar isso claro desde já:
Eu prefiro perder uma venda do que criar uma expectativa que não posso controlar. (Richard Teodoro, fundador da Pulse)
Como medir o jogo do volume de contato?
Pelo número de contatos qualificados, e depois pelo que acontece com cada um deles.
Na Zerando Chile, um projeto de turismo e uma parceria que já foi encerrada, o objetivo combinado era gerar contatos qualificados. O projeto passou de 1.200 leads em novembro, 530% acima do mês de início, em março.
É um bom resultado para o objetivo que o projeto tinha. E é um resultado de lead, e não de venda. O número mostra que a campanha colocou muita gente interessada em contato com a empresa. Quantos desses contatos viraram viagem vendida não faz parte do que foi divulgado.
Esse é o ponto do jogo de volume. O anúncio faz a primeira parte, e o resto depende do que a agência faz com cada pessoa que chama: quanto tempo leva para responder, se manda o orçamento, se volta a falar com quem pediu preço e parou de responder.
Por isso, nesse jogo, vale acompanhar mais de um número: quantos contatos chegaram, quantos tinham perfil, quantos receberam orçamento e quantos compraram. Quando o volume sobe e as vendas não acompanham, a investigação começa pelo que acontece depois que o contato chega.
Escrevi sobre esse trecho, do lead que chega até a venda fechada, no artigo Sua empresa gera leads, mas não vende? Veja onde investigar.
Como medir um lançamento de alto valor?
Pelo faturamento comparado com o que se investiu em mídia, lido com cuidado.
No lançamento de um cruzeiro para o Alasca, a RZ Turismo investiu R$ 10.725,37 em anúncios, e esse investimento ajudou a chegar a quase R$ 1 milhão em faturamento. O ROAS, que divide o faturamento pela verba de mídia, foi de 89,50.
É um número raro, e por isso mesmo pede leitura cuidadosa. Ele mostra faturamento, e não lucro. Não diz quanto custou o cruzeiro, quanto ficou com cada parte da venda, nem quanto do resultado veio de interessados que a empresa já tinha antes da campanha.
Expliquei por que ROAS alto não é lucro no artigo CAC, ROAS e CPL: quais números mostram se o anúncio dá lucro?.
O que esse jogo tem de diferente é o tempo. Uma viagem cara, ainda mais internacional, não se decide em poucos dias. O Anuário Braztoa 2026 aponta que as viagens nacionais são compradas mais perto da data de embarque, enquanto no internacional cresce a fatia de viagens planejadas com 3 a 6 meses de antecedência.
Na prática, isso muda o calendário da campanha. Quem anuncia um roteiro internacional poucas semanas antes do embarque pode chegar quando boa parte dos interessados já decidiu. A campanha precisa começar meses antes, com tempo para a pessoa conversar, tirar dúvidas, combinar com a família e organizar o pagamento.
E, como o valor é alto, o atendimento pesa ainda mais. Cada conversa vale muito, e quem atende precisa de tempo e de informação para conduzir cada uma até a decisão.
Como medir uma temporada de atração?
Pelo resultado do período comparado com os anteriores, sem confundir alcance com venda.
No Parque Thermas, um parque aquático, as campanhas alcançaram mais de 4 milhões de pessoas. Esse número mede alcance, e não venda. Alcance é quantas pessoas viram os anúncios. Ele não diz quantas dessas pessoas compraram, nem quanto cada uma gastou.
O resultado que fala de venda é outro: o parque marcou recorde de faturamento mensal e de ROAS nas ações realizadas. O valor desse faturamento não foi publicado. Por isso os dois números ficam lado a lado, sem conta entre eles. Tirar daí uma taxa de conversão seria inventar um dado.
O exemplo vem de um parque, e não de uma agência. Mas a lógica vale para a agência que concentra a venda em férias, feriados prolongados e verão. Nesse jogo, a demanda tem data: ela cresce por algumas semanas e depois diminui.
Isso pede duas coisas. A primeira é preparar a campanha antes do pico, para não começar a anunciar quando o cliente já fechou a viagem. A segunda é preparar o atendimento para o volume da temporada, porque é justamente quando mais gente chama que a resposta corre o risco de demorar.
O melhor calendário, nesse caso, é o da própria empresa. Comparar o faturamento de cada temporada com o da temporada anterior ajuda a ver se a campanha somou venda ou só acompanhou a procura que viria de qualquer jeito.
Quem responde a conversa quando o anúncio funciona?
Em muitas agências, a mesma pessoa que posta, atende e vende.
O Censo Abav 2025, da Associação Brasileira de Agências de Viagens, mostrou que mais de 92% das agências associadas são MEIs, microempresas ou pequenas empresas. A pesquisa é das associadas que responderam, e não de todas as agências do país. Mas ajuda a desenhar a operação típica: equipe pequena e muitas funções na mesma mão.
E um dado do Sebrae ajuda a ver onde essa conversa costuma acontecer. Segundo a 12ª Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, divulgada em abril de 2026, 82% dos MEIs e das micro e pequenas empresas brasileiras apontam o WhatsApp como principal canal de comunicação e de vendas. A pesquisa mede o conjunto dos pequenos negócios, e não só as agências de viagem.
Juntando as duas coisas, aparece um risco que o relatório de anúncio não mostra. A campanha funciona, as mensagens chegam todas no mesmo WhatsApp, e quem responde está, ao mesmo tempo, emitindo uma passagem, resolvendo o problema de um cliente em viagem e montando o post do dia.
Nessa hora, o anúncio fez a parte dele e a venda pode se perder na fila de mensagens. Antes de aumentar a verba, vale perguntar se a operação dá conta de mais conversas, e quanto tempo cada pessoa espera pela primeira resposta.
Como escolher a métrica certa antes de anunciar?
Respondendo cinco perguntas antes da primeira campanha:
- Qual dos três jogos é esse: volume de contato, lançamento de alto valor ou temporada de atração?
- O que vai contar como resultado: contato qualificado, faturamento comparado com a mídia ou resultado do período contra o anterior?
- Com quanto tempo de antecedência a campanha precisa começar, considerando quando o cliente decide?
- Quem vai responder as conversas, e em quanto tempo?
- Onde fica registrado se cada contato virou venda?
A quinta pergunta sustenta as outras quatro. Sem um registro simples, numa planilha ou num CRM, a agência fica só com os números do anúncio. Eles mostram curtida, alcance e mensagem recebida, mas não mostram a viagem vendida.
Com as cinco respostas na mão, curtida e alcance voltam para o lugar deles. São sinais úteis de que a mensagem está chegando e ajudam a ler a campanha. Só não substituem o número que entra no caixa.
Como a Pulse olha para isso
Na Pulse, a conversa começa pelo jogo que a empresa está jogando.
Num diagnóstico, olhamos a campanha junto com o atendimento, o calendário de vendas e os registros que mostram se cada contato virou viagem vendida. Em alguns casos, o ajuste está no anúncio. Em outros, no prazo da campanha ou na forma de atender quem chama.
Outros resultados históricos da Pulse estão na página de cases.
A curtida mostra que o destino agradou. A viagem é vendida na conversa que vem depois, e é essa conversa que precisa ser medida.
Fontes
- IBGE, Agência IBGE Notícias, "Gastos com turismo nacional aumentam 11,7% em 2024", 02/10/2025 (PNAD Contínua, módulo Turismo 2024; consulta em 28/10/2026)
- Mercado & Consumo, "Brasileiros fizeram 20,6 milhões de viagens em 2024, diz IBGE", 02/10/2025
- Brasilturis, cobertura do Anuário Braztoa 2026 (faturamento recorde de 2025), 29/05/2026 (consulta em 28/10/2026)
- Brasilturis, "Censo Abav revela perfil das agências e consolida força dos nichos premium", 10/10/2025 (Censo Abav 2025)
- Agência Sebrae, "WhatsApp se consolida nas vendas on-line enquanto Facebook e lojas próprias perdem fôlego", 16/04/2026 (12ª Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios)
Perguntas frequentes
Como fazer marketing para agência de viagem que gere venda?
Começando pela escolha do jogo. Em turismo há três: volume de contato, lançamento de alto valor e temporada de atração. Cada um pede uma campanha diferente e tem a sua métrica certa. Depois, vale garantir que alguém responda rápido a quem chama e registrar se cada contato virou viagem vendida.
Curtida e seguidor ajudam a vender viagem?
Ajudam a mostrar que o conteúdo chama atenção, mas não medem venda. Viagem é uma compra cara: segundo o IBGE, o gasto médio de uma viagem nacional com pernoite chegou a R$ 1.843 em 2024. Esse tipo de decisão costuma passar por uma conversa sobre data, preço e pagamento, e é essa conversa que a campanha precisa gerar.
Com quanto tempo de antecedência anunciar uma viagem internacional?
Com meses de antecedência. O Anuário Braztoa 2026 aponta que, no internacional, cresce a fatia de viagens planejadas com 3 a 6 meses de antecedência, enquanto as nacionais são compradas mais perto do embarque. Uma campanha que começa poucas semanas antes da data pode chegar quando boa parte dos interessados já decidiu.
Alcance alto significa venda?
Não. Alcance mede quantas pessoas viram os anúncios, e não quantas compraram. Num resultado histórico da Pulse, as campanhas do Parque Thermas alcançaram mais de 4 milhões de pessoas. O que fala de venda nesse caso é outro dado, o recorde de faturamento mensal, cujo valor não foi publicado.
A agência de viagem ainda vende, com tanta compra pela internet?
Vende. Segundo o Anuário Braztoa 2026, as agências de viagens responderam por 80% das vendas das operadoras associadas à Braztoa em 2025. O número vale para essas operadoras, e não para todo o turismo do país, mas mostra que a agência segue no centro de boa parte da venda de viagem.

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